Dados APS (Associação Portuguesa de Seguradores), ASF (Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões), Banco de Portugal e INE
Conjuntura económica
Continuamos em tempos de grandes incertezas no mundo, com fatores de risco infelizmente ainda mais variados em termos de geografias em guerra, mas a economia portuguesa tem demonstrado alguma resiliência, por agora.
O PIB nacional cresceu 2,3% (1ºtrim2026) com previsão de fecho de ano entre 1,8 a 2%. A inflação situa-se nos 3,2% (variação homóloga a junho) e o desemprego nos 5,5% (a maio), abaixo da média europeia e atingindo mínimos desde 2001, com o número de desempregados mais baixo em 9,8% do que em maio de 2025!
Há, assim, uma franca atividade no país que, associada à continuação de revisões em alta nos preços de vários ramos, origina uma produção do setor segurador de mais 18,4% face ao à 1ª metade do ano anterior!
Produção global de seguros

Na 1ª metade de 2026, a produção global de seguro direto aumentou 18,4% face ao mesmo período de 2025, com evolução positiva em todos os ramos, exceto os PPR que caíram 29%, preteridos por decisões de significativas alocações de poupança nos seguros de capitalização (que apresentaram melhores condições que a maioria das soluções de baixo risco no mercado) que subiram 54%!
No ramo Vida, a assinalar ainda o crescimento de 4,7% nos seguros vida risco, já que as vendas de casas e os seus preços continuam animados.
Nos ramos Não Vida (que englobam todos os restantes para além dos de vida risco e os financeiros), o crescimento foi de 9,4%, muito homogéneo nos vários sub-ramos, embora Acidentes de trabalho com 7,2% de aumento.
Produção do setor (atividade em Portugal, prémios emitidos, exclui atividade de resseguro)


A saúde do setor segurador
Se em 2025 a tempestade Martinho tinha causado cerca de 65 milhões de dados ao setor (quase 27 mil sinistros), este ano o comboio de tempestades que assolou sobretudo a zona centro foi claramente o evento de maior número de sinistros em Portugal nas últimas décadas, com 210 mil sinistros e 1,3 mil milhões de euros de indemnizações. Só perto de 9% [do custo] vai ser assumido pelas empresas portuguesas, a grande maioria é assumido pelos resseguradores, mas tal irá certamente aumentar o custo do resseguro nos próximos tratados, o que influenciará em alta o preço dos seguros novamente, sobretudo os Multiriscos, bem como a seletividade na análise de risco.
Em consequência deste comboio de tempestades, o ramo Incêndio e outros danos viu já no 1º trimestre o valor de indemnizações pagas/prémios mais do que duplicar (de 43 para 102% face a igual trimestre de 2026), entre as seguradoras reguladas por Portugal.
E como se comportou este rácio – valor de indemnizações pagas/prémios – nos demais ramos?
- Baixou:
- Em Acidentes de Trabalho (2,2 pontos percentuais)
- No Automóvel, diminuiu cerca de 5,3 pontos percentuais
- Aumentou:
- para além de brutalmente em Incêndio e Outros Danos como acima referido,
- no ramo Doença, onde os montantes pagos apresentaram um crescimento de 12,8%, levando o rácio pagos/recebidos a piorar ligeiramente.
O Presidente da ASF referiu recentemente que “vai haver resultados técnicos negativos” e, no final do ano, poderá haver “algumas seguradoras com resultados perto de zero ou negativos”, mas assegura que “o mercado se mostra robusto”.
O mesmo lembrou a existência de muitos casos sem cobertura de seguro nas regiões atingidas pelo temporal: no caso das “habitações, cerca de metade não estavam seguras para este evento e um número muito semelhante para pequeno comércio e indústria”, algo que fragiliza enormemente os lesados.
E alertou a população e tecido económico para a necessidade de maior proteção e prevenção, nomeadamente por seguros adequados, não só em Multiriscos – face às vulnerabilidades de catástrofes naturais e risco sísmico agravado em Portugal sobretudo a sul – mas também em seguros ciber, onde a penetração em Portugal deixa muito a desejar e se trata de um risco grave e em crescimento.
Ficamos ao dispor!
